DALILA DA SILVA LEAL

O LÚDICO NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZADO PARA ALUNOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Resumo

Este trabalho teve como objetivo discutir o lúdico na Educação Infantil, em uma escola privada na cidade de Samambaia/DF, observando se as professoras consideram na sua prática pedagógica os aspectos da ludicidade no seu cotidiano escolar. Recorreu-se do auxilio de vários autores para melhor entender sobre a importância do lúdico na Educação Infantil, mas baseou-se nas teorias e estudos de três principais autores Maluf, Volpato e Kishimoto. A análise do presente trabalho teve como base uma pesquisa bibliográfica que buscou na literatura existente, conceitos, princípios para maior conhecimento sobre o tema em questão. A metodologia utilizada neste estudo foi de abordagem qualitativa. Utilizou-se observações, questionário misto aplicado para quatro professoras, com seis questões. Nesse processo de construção de conhecimento, foi possível perceber que as atividades lúdicas em sala de aula, ajudam os alunos a adquirirem novos conhecimentos, favorece o equilíbrio emocional, social e intelectual. O desafio do professor consiste em construir uma relação que permita ao aluno ser um participante da brincadeira, pois, a brincadeira é algo que gera prazer, auto-conhecimento e alegria, entre outros benefícios. Todavia, quando o professor não aproveita a ludicidade para promover a aprendizagem, perde-se a chance de ensinar brincando.

Abstract

This work had as objective to argue the playful one in the Infantile Education, in a private school in the city of Samambaia/DF, observing if the teachers consider in pedagogical practical its aspects of the ludicidade in its daily pertaining to school. It was appealed of assist it of some authors for better to understand on the importance of the playful one in the Infantile Education, but it was based on the theories and studies of three main authors Maluf, Volpato and Kishimoto. The analysis of the present work had as base a bibliographical research that it searched in existing literature, concepts, principles for bigger knowledge on the subject in question. The methodology used in this study was of qualitative boarding. One used comments, applied mixing questionnaire for four teachers, with six questions. In this process of knowledge construction, it was possible to perceive that the playful activities in classroom, help the pupils to acquire new knowledge, favor the balance emotional, social and intellectual. The challenge of the professor consists of constructing a relation that the pupil allows to be a participant of the trick, therefore, the trick is something that generates pleasure, self-knowledge and joy, among others benefits. However, when the professor does not use to advantage the ludicidade to promote the learning, it is lost possibility to teach playing.



INTRODUÇÃO

Esta pesquisa teve como proposta uma reflexão sobre o processo de desenvolvimento do aluno de Educação Infantil, com ênfase no lúdico dentro de sala de aula.

O tema deste trabalho foi escolhido pelo simples fato de ter tido o prazer de lecio observar crianças ( na Educação Infantil) com dificuldades na aprendizagem por meio de regras, e vi a brincadeira como instrumento prático e fácil para se ensinar e tornar o aprendizado mais prazeroso.

Com canudinhos coloridos visualizando as cores, o alfabeto ilustrado por bichinhos, massinhas de modelar para transformá-las em números e outros objetos. Brincadeira com fantoches e leituras de historinhas em quadrinhos, para uma boa socialização, dentre outras. Pude perceber que com as brincadeiras a imaginação, atenção, memorização, há o amadurecimento no convívio social entre as crianças.

O jogo e as brincadeiras podem ter um papel fundamental na aprendizagem das crianças, em que o professor pode atuar como mediador, favorecendo meios para que essa aprendizagem aconteça de forma adequada.

A criança tem prazer em brincar na escola com seus colegas, pois é por meio da brincadeira que ela se interage com meio e desenvolve a sua capacidade de aprendizado.

No brincar a criança interage com seu meio físico e social, uma vez que na brincadeira a criança é o sujeito do seu processo, onde tem a oportunidade de construir por si seus próprios valores e regras.

A época de se brincar com mais intensidade e freqüência é na infância. Isto levou o direcionamento dessa pesquisa para a brincadeira na Educação Infantil, como destaque ao lúdico, que engloba jogos e brincadeiras, que será mostrado como esse assunto pode e vem conseguindo resultados maravilhosos para a formação de um adulto maduro, emocionalmente seguro de suas convicções e preparado para as possíveis e certas disputas e dificuldades do mundo adulto.

Buscam-se ainda recursos dinâmicos e criativos, para melhorar e desempenhar a evolução da criança no processo educativo. É necessário que a escola conheça e reconheça a necessidade em favorecer um ambiente propício à interação e o comportamento dos alunos no recreio, para que haja um bom desenvolvimento em todos os aspectos: cognitivo, motor e afetivo.

Todavia, quando o professor não aproveita a ludicidade para promover a aprendizagem, perde-se a chance de ensinar brincando.

Nesse sentido, esse trabalho verificou-se que recursos o profissional da educação, utilizou para melhorar sua práxis; tendo como objetivo geral;

Identificar recursos pedagógicos que favoreçam o desenvolvimento do aluno na aprendizagem, de forma que com os jogos e as brincadeiras o professor possa desenvolver melhor a sua práxis. Bem como os objetivos espécificos;

Compreender como a ludicidade influencia no processo educativo.

Identificar a utilidade dos jogos e brincadeira e sua aplicabilidade.

Analisar o papel e a formação do professor em relação ao lúdico.

Para tanto, fez-se necessário o aprofundamento em aspectos próprios deste estudo, tais como : 1.1 - Conceitos de brincar e a brincadeira no desenvolvimento infantil. 1.2 - A brincadeira como forma de aprendizagem. 1.3 - A ludicidade no âmbito escolar. 1.3 - O lúdico na sala de aula. 1.4 - O uso do brinquedo conforme a idade. 1.5 - A brinquedoteca e a sucatoteca como recurso pedagógico. 1.6 – O papel do professor como educador e mediador em relação ao lúdico e à sua aplicabilidade.

A metodologia utilizada foi com aspectos na pesquisa qualitativa em uma escola privada de Educação Infantil da cidade de Samambaia do Distrito Federal .

Percebeu-se que o lúdico é muito valorizado nos meios acadêmicos e entre as professoras da escola pesquisada.

CAPÍTULO 1 - REFERENCIAL TEÓRICO

1.1 - Conceitos de brincar e a brincadeira no desenvolvimento infantil.

Segundo Ferreira (1993,p.84) brincar significa. 1-Divertir-se infantilmente. 2- Divertir-se, entreter-se. 3- Dizer ou fazer algo por brincadeira: gracejar. 4- Diverti-se participando em folguedos carnavalescos.

Brincar sempre foi e sempre será uma atividade espontânea e mui¬to prazerosa, acessível a todo o ser humano, de qualquer faixa etária, classe social ou condição econômica.

Brincar é uma realidade cotidiana na vida das crianças, e para que elas brin¬quem é necessário que não sejam impe¬didas de exercitar sua imaginação. A ima¬ginação é um instrumento que permite as crianças relacionar seus interesses e suas necessidades com a realidade de um mun¬do que poucos conhecem; é o meio que possuem para interagir com o universo dos adultos, universo que já existia quan¬do elas nasceram e, que só aos poucos elas poderão compreender.

Maluf ressalta (2003,p.17) que “brincar é comunicação e expressão, associando pensamen¬to e ação, um ato instintivo voluntário, uma atividade exploratória que ajuda às crianças no seu desenvolvimento físico, mental, emocional e social, um meio de aprender a viver e não um mero pas¬satempo.”

Brincar também pode e deve produzir na criança, entre outros aspectos, o domínio da linguagem, conseqüentemente diversifica-se as várias modalidades de interação espontânea, garantindo a ela revelar o quanto conhece de si mesma.

Pela brincadeira, objetos e movimentos são transformados. As relações sociais em que a criança está imersa são elaboradas, revividas, compreendidas. Brincando de casinha, de médico, de escolinha, de roda, de amarelinha, de bolinhas de gude ou de pião, a criança se relaciona com seus companheiros, e com eles num movimento partilhado, dá sentido às coisas da vida.

A brincadeira expressa a forma como uma criança reflete, ordena desorganiza, destrói e reconstrói o mundo a sua maneira. E também um espaço onde expressar, de modo simbólico, suas fantasias, seus desejos, seus medos, sentimentos agressivos e os conhecimentos que vão construindo a partir das experiências que vivem.

As crianças sempre brincaram. Desde as épocas mais antigas, crianças procuram decifrar o mundo através de adivinhas, “faz-de-conta”, jogos com bolas, arco, rodas, cordas e bonecos. Brincar parece ter sido sempre, de fato, a atividade principal da criança.

1.2 A brincadeira como forma de aprendizagem.

A aprendizagem através do brincar é uma das atividades que acompanham a infância do indivíduo. Para que isso aconteça, a família e o professor podem proporcionar situações de brincar, procurando atender ás necessidades da aprendizagem das crianças.

Através do jogo a criança aprende, verbaliza, comunica-se com pessoas que tem mais conhecimentos, internalizando novos comportamentos. Volpato ressalta que:

O jogo é atividade principal da criança. Em conexão com essa atividade ocorrem as mudanças consideradas por Vygostsky e Leontiey com as mais importantes no desenvolvimento de processos psíquicos da criança, e preparam o caminho da transição para um novo e mais elevado nível de desenvolvimento. (2002,p.49).

Nas brincadeiras as crianças aprendem quando: montam, desmontam, rabiscam, lêem, trabalham com textos, brincam com letras, palavras e rótulos, desta forma a criança vai desenvolvendo por meio do lúdico o seu processo de alfabetização.

Segundo Kishimoto:

O jogo tradicional infantil é um tipo de jogo livre, espontâneo, no qual a criança brinca pelo prazer de fazer. Por pertencer a categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança, o jogo tradicional infantil tem um fim em si mesmo e preenche a necessidade de jogar da criança. (2002, p.25)

A criança ver o jogo, uma brincadeira espontânea e descontraída. Os jogos tradicionais infantis fazem parte de sua cultura, a criança é um ser humano criativo, imaginativo e auto-sufuciente. Portanto, cabe ao profissional da educação, apropriar-se deste recurso como forma pedagógica.

Kishimoto ressalta ainda que:

As brincadeiras com auxílio do adulto, em situações estruturadas, mas que permitam a ação motivada e iniciada pelo aprendiz de qualquer idade, parecem estratégias adequadas para os que acreditam no potencial do ser humano para descobrir, relacionar e buscar soluções (2002,p.151)

Desta forma o aluno está sendo estimulado a aprender vários conceitos por meio do lúdico, e incluindo o jogo o professor tem a oportunidade de diagnosticar o que à criança aprendeu nas brincadeiras.

Segundo Maranhão (2004) o ato de brincar, é de grande importância, pois para ela a criança se inicia no mundo adulto por meio da brincadeira e pode antever os seus papéis e os valores futuros. Por meio da brincadeira a criança vai se desenvolver socialmente, conhecerá as atitudes e as habilidades necessárias para viver em um grupo social. A imaginação vai ajudá-la a expandir as suas habilidades conceituais.

Na função imitativa, a criança aprende a conviver com as atividades culturais, usando a brincadeira ela estará estimulando o seu desenvolvimento, aprendendo as regras dos mais velhos.

1.3 A ludicidade no âmbito escolar.

O brincar antigamente, era direcionado apenas para o intervalo, hora do “recreio”, com tempo cronometrado, não havendo um direcionamento pedagógico que incluía o lúdico com eixo do trabalho escolar. Era rara a escola que tinha o objetivo a investida do lúdico com proposta pegagógica. Porém, hoje a tentência atual da educação é não perder de vista a ludicidade no ambiente escolar. E dá o devido valor ao brincar, levar so jogos e brincadeiras para dentro de sala de aula, proporciona um ensino aprendizagem mais irrequecido para o aluno.

De acordo com Claparède (apud MIRANDA, 2001,p.25)

(....) a escola deve ser ativa, isto é, deve mobilizar a atividade da criança. Deve ser mais um laboratório do que um auditório. Com esse fim, poderá tirar um partido útil do jogo, estimulando ao máximo a atividade da criança. A escola deve fazer amar o trabalho. Demasiadas vezes, ensina a detestá-lo, criando, em torno dos deveres impostos, associações afetivas desagradáveis. Portanto, é indispensável que a escola seja para a criança um meio alegre.

Percebe-se que o papel da escola e de promover um ambiente adequado e agradável aos olhos dos alunos. A escola que ver a criança como sujeito ativo e não reprodutor de idéias alheias, trabalha-se a educação com mais seriedade, as atividades lúdicas devem ser alvo de planejamento escolar , na façanha do aprender.

Volpato (2002) o jogo e a brincadeira estão presentes em várias situação do âmbito escolar. Também são várias as concepções sobre o lugar e a importância dessas atividades na escola.

Fontana e Cruz (apud VOLPATO, 2002, p.96) :

Apresentam três concepções distintas, que frequentemente são encontradas nas escolas. “Criança vai à escola para aprender, e não para se divertir”

De acordo com esta concepção o jogo e a brincadeira só podem ser utilizados no período do recreio.

Outra concepção “saber separar brincadeiras de tarefas sérias, portanto o tempo determinado para jogos e brincadeiras é determinado pela idade da criança e a série à qual ela está”.

A terceira concepção, e a mais coerente com a proposta pedagógica atual, que “pode e deve ser traduzida em métodos educacionais que valorizam a brincadeira e buscam evitar distinção rígida entre jogo e tarefas sérias”. Como vimos brincando o aluno aprende se divertindo.

Volpato (2002) de fato brincar na escola, não deve ser o mesmo que brincar em casa ou outro lugar qualquer, a função do jogo e brincadeira na escola, sem ser no período do recreio, deve ser definido de maneira formativa, responsável pela socialização do conhecimento historicamente produzido.

O que faz o jogo um jogo e o que caracteriza uma brincadeira é a possibilidade que a criança tem de tomar decisões, de combinar as regras do jogo, ou seja, agir de forma transformadora sobre os conteúdos significativos para ela, de ter liberdade e prazer de brincar na escola.

1.4 O lúdico na sala de aula.

As atividades lúdicas devem ter espaço importante dentro da sala de aula, pois de modo geral estabelecem uma relação agradável como o lúdico dentro da sala de aula e desperta na criança o conhecimento de maneira divertida, para que ela possa a gostar ou até mesmo continuar apreciando, e isso cabe ao professor intermediar e estimular a implantação destas atividades no dia-a-dia da criança.

Trabalhar com o lúdico, dentro da sala de aula, utilizando jogos e brincadeiras fazem com que a criança tenha mais vontade e interesse de aprender. Pois, na verdade as crianças demonstram totais desinteresse a um determinado conteúdo escolar que apenas memorizam e produzem pensamento que não lhe pertencem. E o jogo oferece a criança a oportunidade de enfrentar desafios e dificuldade e auxiliar o professor nas resoluções de dificuldades de ministrar o conteúdo.

Segundo Fortuna (2003, p.15)

A brincadeira e o jogo fazem parte na grande maioria das escolas, sejam elas particulares ou públicas, com a presença do lúdico em sala de aula, o aluno aprenderá a obedecer às regras, a questioná-las e a recriá-las, revolucionando seu próprio conceito em relação às disciplinas escolares.

Neste sentido, o professor que trabalha com lúdico em sala de aula deverá assumir a responsabilidade de garantir o tempo e o espaço para o brincar e também adequar a seleção de atividades, pois tudo isso envolve a intencionalidade do fazer pedagógico, que segundo Costa (apud FORTUNA, 2003, p.191)

Podem ser executadas individualmente, em dupla ou em grupo, diversificando as atividades dentro da sala de aula, permitir a criança vivenciar situações, como sucesso e fracassos, ataques e defesas, ganhas e perdas sem rancor, com respeito ao adversário, possibilitar o relacionamento e a recreação, ao mesmo tempo, desenvolvimento e a recreação, ao mesmo tempo, o desenvolvimento cognitivo, criar situações para as crianças progredirem no processo de aprendizagem.

A escola está com nova visão, em relação a educação, dentro de sala de aula o professor tem a liberdade de trabalhar com mais flexibilidade e autonomia, deixando de lado os velhos paradigmas onde a criança era mero receptor de conhecimento, ou seja, um ser “bancário”. Hoje, os profissionais da educação, tem mais facilidade para desempenhar seu trabalho, utilizando-se dos jogos e das brincadeiras como recursos pedagógicos, eles podem permitir que as crianças aprendam a ganhar ou perder, atacar e defender, rir ou chorar, etc, com as diversidades causadas pelo jogo e a brincadeira.

É preciso que o professor e a escola fiquem atentos para alguns aspectos conforme Almeida (1998, p. 120)

É necessário que a escola de educação infantil ofereça um ambiente saudável e alegre, onde possa manter uma convivência harmoniosa, adequada à fase em que a criança se encontra como: mesas que oportunizem sentar em grupo, leiteiros de embalagens pela sala, por exemplo: espaço como revistas, jornais e livros para que elas possam ler espaço para montagem de jogos e realizações de brincadeiras.

Percebe-se que o ambiente de sala de aula, deve ser um espaço convidativo e harmonioso para o pleno desenvolvimento da criança, principalmente na Educação Infantil, pois é neste período de descoberta que as crianças constroem valores e crenças internas que ajudam na formação de seu caráter.

1.5 O uso do brinquedo conforme a idade.

O desafio de trabalhar com as crianças em grupo, com características próprias dificultavam o trabalho, ou seja, o egocentrismo e a dificuldade de perceber e, respeitar o outro. O trabalho em grupo é necessário, entretanto, para que os princípios de socialização, de criatividade e democracia possam ser construídos na criança, além de levá-las a desenvolverem capacidades de expressão e comunicação.

Vygotsky (apud REGO, 2002, p.80)

O brinquedo é uma importante fonte e promoção de desenvolvimento. Afirma que, apesar do brinquedo não ser o aspecto predominante da infância, ele exerce uma enorme influencia no desenvolvimento infantil. [o termo brinquedo, refere-se principalmente ao ato de brincar] através do brinquedo, a criança aprende a atuar numa esfera cognitiva que depende de motivações internas. Na fase da idade pré-escolar ocorre uma diferenciação entre os campos de significação e visão. A criança poderá atualizar matérias que servirão para apresentar uma realidade ausente.

A importância do brincar, do brinquedo, do jogo no processo da aprendizagem, auxilia a entender o quando é importante o uso dos recursos nas atividades pedagógicas. Depois de muitas leituras e experiências vividas é fácil compreender que o aluno não é uma tábua rasa. Ele já vem para escola com uma bagagem muito grande.

Brinquedos adequados:

Aos 02 anos :

• Gosta de estar com outras crianças, mas ainda não brinca junto.

• Cada criança fará a sua atividade, po¬dendo ou não uma imitar a outra;

• Briga facilmente e disputa brinquedos; não gosta de emprestar seus brinquedos.

Aos 03 anos:

• Começa a conhecer e reconhecer cores e formas;

• Tenta registrar seus pensamentos em desenhos;

• Imita os adultos em seus afazeres;

• Seu poder de imaginação vai aumentando gradativamente.

Aos 04 anos:

• Os desenhos são mais completos e elaborados

• Começa a brincar de médico, papai, mamãe, entre outros;

• Linguagem verbal é bem desenvolvida; quer sa¬ber de tudo: nome, características, funcionamento.

• Gosta de livros, procura reconhecer figuras que estão no mesmo;

• Explora o seu corpo e de outras crianças;

• Brinca de forma cooperativa;

• Amigos imaginários estão sempre presentes nas brincadeiras;

• Gostam de usar fantasias como: Super-homem, Mu¬lher Maravilha, Barbie, Power Ranger,

Batman, Te¬letubies e outras.

O faz-de-conta é a realidade durante a brincadeira. A fantasia (roupa que caracteriza personagens da brin¬cadeira) só vai ser uma fantasia quando ela for tirada e guardada.

Aos 05 anos:

• Conhece todas as cores;

• Começa a aceitar as regras das brincadeiras, procu¬ra segui-las, mas pode trapacear para não perder;

• O menino gosta de brincar de mocinho e bandido, tornando assim as brincadeiras mais agitadas e cheias de ação;

• A menina já gosta de brincadeiras mais calmas, como as atividades domésticas e sociais;

• As competições vão sendo mais freqüentes, mas ainda não consegue assimilar derrotas.

Aos 06 anos:

• Gosta de vários tipos de jogos, quer ganhar sempre;

• Consegue um jeito de trapacear para ganhar;

• Gosta de brinquedos rudes;

• Surgem novos relacionamentos com colegas e professores.

Crianças de 4 a 6 anos apresentam características bem marcantes, relacionam tudo o que acontece ao seu redor com seus sentimentos e ações. Começam a argu¬mentar, ainda sem razões lógicas. Suas razões são ba¬seadas em seus desejos ou medos.

Brinquedos adequados de 2 a 6 anos:

• Carrinhos ou outros brinquedos de puxar e em¬purrar;

• Blocos de construção;

• Brinquedos de desmontar (grandes);

• Túnel para atravessar;

• Cavalo de pau;

• Carro ou bicicleta sem pedal, que a criança movi¬mente com os pés no chão;

• Livros com ilustrações Coloridas

• Bolas.

• Livros de pano com figuras;

• Telefone;

• Panelas e todo o tipo de utensílios de cozinha;

• Bonecas;

• Máscaras, chapéus, fantasias e capas;

• Fantoches;

• Bichos de plástico e de pelúcia;

• Massa de modelar;

• Quebra-cabeça (simples);

• Tambor, cometa, pianinho, pandeiro etc.;

• Carros, caminhões, trenzinhos e aviões;

• Cabanas e casinhas;

• Balde e pazinha;

• Lojas em miniatura;

• Casa de boneca com móveis;

• Caixa registradora;

• Cidadezinhas, fortes, circos e fazendas;

• Posto de gasolina;

• Bicicleta;

• Material para fazer bolhas de sabão.

(MALUF, 2003,pgs.53 a 58)

Cada brinquedo faz nascer na criança um mundo de muitas surpresas, instantes demorados de contemplação. Bem na verdade que a criança tem uma imaginação fértil e às vezes não precisa de nenhum recurso para brincar, mas também é verdade que com um brinquedo é mais fácil a realização de uma brincadeira, pois ele faz com que a criança simule situações-problemas.

1.6 A brinquedoteca e a sucatoteca como recurso pedagógico.

1.6.1 A briquedoteca.

A brincadeira deve ser grande aliada da Educação Infantil no processo de aprendizagem da criança, pode ajudar no seu desenvolvimento intelectual, motor, pessoal, afetivo, além de disponibilizar maneiras de trocar experiências, enriquecendo sua sociabilidade.

É preciso criar espaços próprios para esse tipo de atividade, onde a criança pode explorar suas capacidades imaginativas e experimentar uma liberdade de expressão e criatividade.

Maluf (2003) os alunos que tem espaços reservados, com brinquedos apropriados para cada idade e melhor ainda, sem cobrança e sem atrapalhá-los, neste aspecto, as atividades lúdicos favorecem o equilíbrio emocional e o desenvolvimento das inteligências, fatores primordiais para o ensino/aprendizagem.

Maluf (2003) acrescenta que a brinquedoteca é um lugar preparado onde as crianças ficam o tempo que quiser, pois neste local elas brincam, inventam, expressam suas fantasias, seus desejos, medos, sentimentos e conhecimentos construídos a partir das experiências que vivenciam.

Conforme Maluf (2003) a brinquedoteca surgiu nos Estados Unidos, na cidade de Los Angeles, em 1934, com empréstimo de brinquedos a crianças que não podiam comprá-los. Este serviço é utilizado até hoje. É chamada de “Toy Loan” ou “Toy Libraries”.

Na Suécia, em 1963, iniciou-se uma experiência voltada às crianças excepcionais, com empréstimo de brinquedos e orientação às famílias. Depois disso difundiu-se pelo mundo e se ampliou, incorporando também espaços para brincar em hospitais, centros comunitários e escolas.

No Brasil, a primeira brinquedoteca foi montada pela Associação de Pais e Alunos Excepcionais (Apae), em 1973, em São Paulo, voltada a crianças portadoras de deficiência mental, multiplicando-se no país.

A brinquedoteca brasileira difere das chamadas “Toy Libraries” porque não tem como atividade principal o empréstimo de brinquedos. São espaços extremamente ricos em estímulo à produção de conhecimento, ambientes lúdicos em que o convite à exploração, à descoberta é uma constante (SANTOS, org.1997).

O ambiente da brinquedoteca deve ser alegre, amplo, colorido e bem agradável. As crianças dão asas à sua imaginação. Para isto, elas devem ser estimuladas a brincar.

1.6.2 A Sucatoteca.

Na Educação Infantil, os professores devem sempre estar pensando e fazendo formas criativas para envolver seus alunos no processo de aprendizagem ao inserir brincadeiras e jogos.

Segundo Silva (Revista do professor n º67,2001)

A sucatoteca é um ambiente que suscita a invenção e a imaginação, onde o uso de materiais recicláveis oportuniza a construção e reconstrução de objetos que, aliados ao imaginário, transformam-se em brinquedos ricos e singulares, justamente porque têm a autoria e o toque de cada criança.

O autor relata que a sucatoteca é um lugar onde se transforma materiais recicláveis em brinquedo, a criança se vê diante de várias possibilidades de criar, imaginar e transformar.

Além de ser uma opção que favorece a criatividade infantil, a sucatoteca tem um importante papel social que pode ser ensinado à criança, que a questão da reciclagem do lixo, pois materiais que seriam jogados fora, como por exemplo: latas, garrafas plásticas, caixas, copos descartáveis, etc., podem se transformar em variados brinquedos infantis, dependendo da imaginação. É importante destacar também que “as crianças sentem satisfação em brincar com brinquedos que elas mesmas fazem” (SILVA, Revista do Professor n º 67,2001) e com essa motivação a mais ela desenvolve melhor sua auto-estima, valorizando sua aprendizagem.

Como tudo que se vai ser implantado na escola logo vem à primeira pergunta: qual será o valor desse projeto para a escola? Isto é um questionamento esperado em países capitalistas. E a sugestão só será aceita pelos competentes para aprová-la se a resposta for satisfatória financeiramente e seus benefícios serão levados em conta num segundo momento.

No caso da sucatoteca no âmbito escolar tem um custo muito baixo e o retorno é imenso, como o nome já sugere será utilizado sucata, ou seja, materiais que iriam ter um destino, o lixo. O custo que se terá, será para aquisição de alguns adereços (como cola, fitas coloridas e outros) e os benefícios é que a criança terá a oportunidade de valorizar o meio ambiente, pois está trabalhando com a idéia de reciclagem e todos os ganhos gerados pela brincadeira e jogos como facilitar a expressão da emoção, amadurecimento e facilidade de aprender, entre outros.

1.7 O papel do professor como educador e mediador em relação ao lúdico e à sua aplicabilidade.

O educador deve oferecer ferramentas para que a criança escolha, entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com circunstâncias adversas que cada um se encontra.

As pessoas precisam da brincadeira e jogo para encarar a vida com mais beleza e sonhos, viver é sonhar, cogitar novas possibilidades de transformação. “O brincar pode ser um elemento importante através do qual se aprende” Maluf (2003, p.29).

Independente da idade que se tenham as brincadeiras abre o leque que decifra os enigmas que nos rodeiam. Por isso é que o professor deve organizar suas atividades pedagógicas mais significativas para seus alunos.

Também é importante que os alunos trabalhem dentro e fora de sala de aula, individualmente ou em grupos. As brincadeiras enriquecem o currículo escolar, podendo ser proposta nas disciplinas. Portanto e dever do professor estabelecer métodos e condições para desenvolver e facilitar este tipo de trabalho.

É papel de o professor criar oportunidades para que o lúdico aconteça de uma maneira sempre educativa, não se pode deixar que as aulas teóricas e práticas sejam cansativas e que caiam na mesmice. A função do profissional da educação é desmistificar a idéia de que ser criativo é um dom divino. O professor exerce o papel de mediador do conhecimento, e também no desenvolvimento das suas habilidades criativas.

Durante o tempo da infância, tudo gira em torno da brincadeira, portanto na escola não se pode perder de forma nenhuma essa idéia da ludicidade entre professor/aluno.

Leny Mrech (apud MIRANDA, 2001, p.88)

(…) um professor que não sabe e/ou não gosta de brincar dificilmente desenvolverá a capacidade lúdica de seus alunos. Ele parte do principio de que o brincar é perda de tempo. Assim, antes de lidar com a ludicidade do aluno, é preciso que o professor desenvolva a sua própria. (...) O professor que, não gosta de brincar, esforça-se por fazê-lo, normalmente assume uma postura artificial, facilmente identificada pelos alunos. A atividade proposta não anda. Em decorrência, muitas vezes os professores deduzem que brincar é uma bobagem mesmo, e que nunca deveriam ter dado essa atividade em sala de aula-. A saída desse processo é um trabalho mais consistente e coerente do professor no desenvolvimento de sua atividade lúdica.

Constatou-se que o lúdico também deve esta intimamente ligada ao ser do professor deve-se ter espírito aberto ao lúdico, reconhecer a sua importância, enquanto fator de desenvolvimento da criança que existe dentro de cada um.

A criança tem uma sensibilidade e percepção muito aguçada, em perceber quando o professor gosta ou não de brincar, quando ele assumir uma postura artificial. Por isso é que o professor deve acreditar que fazendo do brincar momentos de grandes conquistas no processo educativo vai contribuindo para o crescimento do aluno, em se tornar um ser humano mais criativo sociável ao meio em que vive.

É fundamental sabermos que, quando voltamos a brincar, não voltamos a ser crianças, mas vivenciamos instantes de prazer que tiram nossa seriedade, nos fazendo mais espontâneos, alegres e felizes.

Para Falcão (2001, p.117)

O professor tende a funcionar como ponto de referência para o aluno em sua vida. O professor deve conscientizar-se de que, além da matéria, ele transmite o seu ser; conseqüentemente, deve impor-se o esforço para crescer como pessoa e capacitar-se a exercer influência num rumo positivo, construtivo educativo.

Como vimos o autor relata que o professor é a figura essencial para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor do aluno. Além das matérias específicas, o professor deve entender que lhe cabe ensinar o valor da dedicação ao próprio trabalho, o encanto pelo estudo, o interesse pelo ser humano. Pontos que ele ensina na medida em que os vive.

Dessa forma, Werneck (2000, p.145) ressalta que:

A formação de profissional para o lazer deve ainda, permitir a integração de diferentes saberes, numa práxis profissional que represente uma efetiva chance de transformação das propostas alienantes de lazer. Para isso, é fundamental levantar uma série de temas identificadores, que possam servir de estímulo a organização de grupos de estudo interdisciplinares, e eventos científico-culturais, projetos de pesquisa, de ensino e/ou extensão, programas acadêmicos teórico-práticos e trabalhos cooperativos entre docentes/discentes.

O profissional de educação ao se formar, assume um sentido construtivo que busca levá-lo a encontrar o seu próprio caminho, a se transformar, a evoluir, a refletir, a se relacionar com trocas interdisciplinares enriquecedoras e significativas.

O educador precisa ter conhecimentos sobre o desenvolvimento infantil, sobre brincadeiras, brinquedos e jogos. Ele precisa ainda ser uma pessoa bem humorada, comunicativa e que tenha muita paciência, que goste de brincar e que crie um ambiente lúdico descontraído. Solidarize-se com as crianças e que proporcione a elas horas felizes de prazer e aprendizado.

Para que se dê mais sentido às brincadeiras com as crianças, deve-se propor atividades que exercitem sua imaginação, criatividade, equilíbrio, agilidade de movimentos e raciocínio.

CAPÍTULO 02- METODOLOGIA

Este trabalho teve como método a pesquisa qualitativa acerca do lúdico em sala de aula e dar-se-á de forma a estabelecer uma comparação entre o conhecimento teórico mais aprofundado do assunto e a praxis na sala de aula. Sendo assim, a interpretação, o significado e análise dos dados coletados foram intimamente ligados as referências teóricas propostas.

Segundo Bogdan e Biklen (apud LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p.11) “A pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra, por meio do trabalho intensivo de campo”. Ou seja, a pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador como a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto preocupa-se em retratar as perspectivas dos participantes.

O campo de realização dessa pesquisa foi em um colégio privado da cidade de Samambaia – DF, que assume o posicionamento construtivista. A instituição de ensino é composta por dois coordenadores, trinta professores e monitor infantil, duzentos e cinqüenta alunos, seis pessoas que auxiliar em serviços gerais. Possui dez salas de aula, laboratório de informática, secretaria, direção, sala da coordenação, brinquedoteca, contendo diferentes tipos de brinquedo como: cama elástica, piscina de bolinhas, escorregador, cavalinhos de plástico, área verde, quadra de futebol, campo gramado, piscina e três banheiros.

A cidade onde se localiza a escola-campo pesquisada, é a XII Região Administrativa do Distrito Federal do Brasil. Possui uma área de 105,70 Km² e uma população total de 164.319 habitantes, de acordo com a Fundação Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE). Com o crescimento da migração com pessoas advindas de todos os estados brasileiros para a Capital Federal desencadeou o surgimento de invasões. O governo então elaborou um projeto de erradicação como forma de controlá-las. Assim, Samambaia surgiu em 1985. O nome dado a Samambaia é referente ao Córrego Samambaia, que passa entre as Regiões Administrativas de Taguatinga e Ceilândia – DF.

Para a realização dessa pesquisa foram envolvidos trinta e dois alunos, quatro professores e diretor, da Educação Infantil, porque à medida que a criança interage com os objetos e com outras pessoas, construirá relações e conhecimentos a respeito do mundo em que vive. Aos poucos, as escolas, a família, em conjunto, deverão favorecer uma ação de liberdade para a criança, uma socialização que se dará gradativamente, através das relações que ela estabelecer com seus colegas, professores e familiares.

A pesquisa teve como instrumentos de coletas de dados a observação e questionário/entrevista. Segundo Marconi e Lakatos:

A observação é uma técnica de coletas de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir mais também em examinar fatos ou fenômenos que se desejar estudar. (2006, p.88):

A observação foi não-participante. Para Marconi e Lakatos (2006, p.90) “Na observação não participante, o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem entregar se a ela: permanecer de fora”.

Foi entregue as professoras da Educação Infantil, um questionário, contendo seis questões fechadas e abertas referentes ao assunto. As mesmas foram direcionadas para analisar o papel do lúdico. Segundo Marconi e Lakatos (2006, p.98) “O questionário é um instrumento de coleta de dado constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”.

CAPÍTULO 03 - ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

Aborda-se nesse capítulo a análise e a interpretação dos resultados obtidos na coleta de dados por meio: da observação não-participante, do questionário misto para os professores.

Segundo França (1986, apud, LÜDKE e ANDRÉ, 2007) analisar os dados qualitativos significa “trabalhar” todo o material obtido durante a pesquisa, ou seja, os relatos de observação, as transcrições de entrevista, as análises de documentos e as demais informações disponíveis”.

3.1-Cronograma de visitas feitas ao ambiente pesquisado:

DATA OBJETIVO

05/07/2010

06/07/2010

07/07/2010

08/07/2010

Observação/ I período A

Observação/ I período B

Observação/ II período

Aplicação dos questionários

3.2-Análise dos dados do questionário misto

A pesquisa ocorreu no Colégio Ativo situado na Região Administrativa do Distrito Federal (Samambaia) que atende desde maternal a 4ª série do Ensino Fundamental de 09 anos. Ocorreu entre os dias cinco e oito de julho e teve cinco dias de realização.

Os sujeitos dessa pesquisa foram 04 professoras sendo que todas da Educação Infantil.

A escolha desses sujeitos em tais proporções e em gêneros deu-se por considerar fundamental a relação lúdica entre alunos e professores e entre os alunos no processo de ensino-aprendizagem.

Constatou-se que 100% dos que participaram da pesquisa são formados em Pedagogia. Por meio da análise dos resultados que foram obtidos com as quatro professoras da Educação Infantil, verificou-se que os participantes têm um grande conhecimento sobre a importância do lúdico no processo de ensino-aprendizagem. Em resposta a primeira pergunta do questionário, “o que você entende por atividade lúdica?”, tivemos:

Professora A: É a atividade que envolve música, brincadeira, história.

Professora B: Uma forma de desenvolver a criatividade, os conhecimentos, raciocínio de uma criança através de jogos.

Professora C: É a forma de ensinar através de brincadeiras e jogos, tornando uma aula prazerosa.

Professora D: É o brincar incluindo jogos, brinquedos e o divertimento, é tudo isto que ajuda na aprendizagem cognitiva e afetiva da criança.

Percebeu-se que as professoras foram muito coerentes nas respostas, em colocar o lúdico como forma de ensinar, trabalhar como recurso do jogo e da brincadeira, possibilita um melhor ensino/aprendizagem.

Como diz Kishimoto:

O jogo tradicional infantil é um tipo de jogo livre, espontâneo, no qual a criança brinca pelo prazer de fazer. Por pertencer a categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança, o jogo tradicional infantil tem um fim em si mesmo e preenche a necessidade de jogar da criança. (2002, p.25)

A criança vê o jogo como uma brincadeira espontânea e descontraída. Os jogos tradicionais infantis fazem parte de sua cultura, a criança é um ser humano criativo, imaginativo e auto-sufuciente. Portanto, cabe ao profissional da educação, apropriar-se deste recurso como forma pedagógica.

Já em resposta a segunda pergunta do questionário: “Você acredita que o lúdico beneficia a aprendizagem da criança?”, tivemos:

Professora A: Sim, porque é algo que a criança gosta e se interessa.

Professora B: Sim, porque torna qualquer aprendizado leve e descontraído.

Professora C: Sim, por meio da brincadeira a criança pode vivenciar outra realidade e socialização.

Professora D: Sim, porque a criança pode explorar uma variedade de experiências em diferentes situações desenvolvendo assim sua criatividade.

Como vimos as professoras afirmam que o lúdico beneficia a aprendizagem do aluno, abrange uma variedade de experiências cognitivas, afetivas e sociais.

Maranhão (2004) comenta que por meio da brincadeira a criança vai se desenvolver socialmente, conhecerá as atitudes e as habilidades necessárias para viver em um grupo social. A imaginação vai ajudá-la a expandir as suas habilidades conceituais.

Na função imitativa a criança aprende a conviver com as atividades culturais, usando a brincadeira ela estará estimulando o seu desenvolvimento, aprendendo as regras dos mais velhos.

Em relação à terceira pergunta do questionário: “Você utiliza o lúdico em sala de aula?”, tivemos:

Professora A: Sim, porque eles prestam mais atenção, tendo grande interesse, com isso eles absolvem mais atividade trabalhada.

Professora B: Sim, com jogos e brincadeiras de leitura ou escrita em matemática, português e natureza e sociedade, usando recursos no momento oportuno, uma vez que as crianças constroem seu raciocínio de forma descontraída.

Professora C: Sim, com brincadeiras, jogos e músicas. Porque por meio de brincadeiras e músicas as crianças expressão suas emoções.

Professora D: Sim, porque é brincando que as crianças aprendem a conviver com os outros e a respeitar regras, criar, imaginar e adquirir conhecimento de uma maneira gostosa.

Em suma, as professoras da Educação Infantil, trabalham de forma lúdica, tendo em vista que consideram o brincar como um recurso que auxilia no processo de ensino-aprendizagem dos alunos no dia-a-dia.

Segundo Fortuna (2003, p.15)

A brincadeira e o jogo fazem parte na grande maioria das escolas, sejam elas particulares ou públicas, com a presença do lúdico em sala de aula, o aluno aprenderá a obedecer às regras, a questioná-las e a recriá-las, revolucionando seu próprio conceito em relação às disciplinas escolares.

Neste sentido, o professor que trabalhar com lúdico em sala de aula deverá assumir a responsabilidade de garantir o tempo e o espaço para o brincar e também adequar a seleção de atividades, pois tudo isso envolve a intencionalidade do fazer pedagógico.

Quanto à quarta pergunta: “Quantas vezes você utiliza o lúdico durante a semana?”, tivemos:

Professora A: Duas vezes por semana.

Professora B: Quatro vezes por semana.

Professora C: Quatro vezes por semana.

Professora D: Quatro vezes por semana.

Utiliza o lúdico

Tabela- 03

Opções

Valor Absoluto %

Uma vez por semana 0 0%

Duas vezes por semana 01 20%

Três vezes por semana 0 0%

Quatro vezes por semana 03 80%

TOTAL

04 100,0%

Gráfico- 03

A freqüência com que as professoras trabalham o lúdico em sala de aula é de 20%, duas vezes por semana e 80%, quatro vezes por semana. Percebeu-se que 100% das professoras utilizam o lúdico em sala de aula com freqüência

Entende-se que com a freqüência do trabalho pedagógico na Educação Infantil, pode-se oferecer às crianças um aprendizado que esteja embasado no lúdico, com atividades que deixem florescer e desenvolvam a criatividade, incluindo os jogos, as brincadeiras, histórias, músicas, danças, dramatizações, artes plásticas e outros que constituam meios importantes de aprendizagem. Quanto mais a criança participa de atividades lúdicas, novas buscas de conhecimentos se manifestam, seu aprender será mais prazeroso.

No que se refere à quinta pergunta: “Você acha que a aprendizagem de forma lúdica é mais significativa para as crianças?”, tivemos:

Professora A: Sempre, porque por meio do lúdico os alunos têm mais interesse, e mais motivação.

Professora B: Sempre, Vygotsky afirma que o brinquedo no desenvolvimento de uma criança tem grande influência, pois ela aprende e agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo da motivação.

Professora C: Sempre, além de ser uma forma significativa e se torna prazerosa, buscando o melhor das crianças.

Professora D: Sempre, porque é um recurso capaz de propiciar uma aprendizagem espontânea que estimula a criatividade, a critica e a socialização dos alunos.

As professoras foram unânimes nas respostas em considerar a ludicidade significativa para o processo da aprendizagem. Para a professora B o recurso do brinquedo facilita e influencia no ensino/aprendizagem.

De acordo com Vygotsky (apud REGO, 2002, p.80)

O brinquedo é uma importante fonte e promoção de desenvolvimento. Afirma que, apesar do brinquedo não ser o aspecto predominante da infância, ele exerce uma enorme influencia no desenvolvimento infantil. [o termo brinquedo, refere-se principalmente ao ato de brincar] através do brinquedo, a criança aprende a atuar numa esfera cognitiva que depende de motivações internas. Na fase da idade pré-escolar ocorre uma diferenciação entre os campos de significação e visão. A criança poderá atualizar matérias que servirão para apresentar uma realidade ausente.

O brincar, o brinquedo, o jogo no processo da aprendizagem auxiliam a entender o quando é importante o uso dos recursos nas atividades pedagógicas. Depois de muitas leituras e experiências vividas é fácil compreender que o aluno não é uma tábua rasa, ele já vem para escola com uma bagagem muito grande.

Na sexta pergunta: “De que forma o professor pode estimular o seu aluno a brincar?”, tivemos:

Professora A: Participando ativamente das brincadeiras

Professora B: Incentivando atividades lúdicas.

Professora C: Participando ativamente das brincadeiras

Professora D: Propiciando um espaço lúdico

Estimula o brincar

Tabela- 06

Opções

Valor Absoluto %

Participando ativamente 02 50%

Incentivando atividades 01 25%

Propiciando espaço 01 25%

Outros 00 0%

TOTAL

04 100,0%

Estimula o brincar

Gráfico- 06

Constatou-se que 50% das professoras participam ativamente das brincadeiras, 25% incentivam as atividades lúdicas e 25% propiciam um espaço lúdico, todas as respostas de uma forma geral estimulam os seus alunos a aprender brincando.

Leny Mrech (apud MIRANDA, 2001, p.88)

(…) um professor que não sabe e/ou não gosta de brincar dificilmente desenvolverá a capacidade lúdica de seus alunos. Ele parte do principio de que o brincar é perda de tempo. Assim, antes de lidar com a ludicidade do aluno, é preciso que o professor desenvolva a sua própria. (...) O professor que, não gosta de brincar, esforça-se por fazê-lo, normalmente assume uma postura artificial, facilmente identificada pelos alunos.

Percebe-se que o lúdico também deve esta intimamente ligado ao ser do professor, deve se ter um espírito aberto ao lúdico, reconhecer a sua importância, enquanto fator de desenvolvimento da criança que existe dentro de cada um. É fundamental sabermos que, quando voltamos a brincar, não voltamos a ser crianças, mas vivenciamos instantes de prazer que tiram nossa seriedade, nos fazendo mais espontâneos, alegres e felizes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No período da realização dessa monografia percebeu-se a eficiência dos trabalhos pedagógicos como suporte do lúdico e o quanto é importante para as atividades lúdicas para o desenvolvimento do processo educativo na Educação Infantil. A ludicidade faz parte da vida da criança desde o seu nascimento, e é no ambiente familiar que se percebe as vivências que formarão as bases da afetividade na socialização e na coletividade.

Os jogos e as brincadeiras são excelentes recursos pedagógicos para estimular o raciocínio, desenvolver o cognitivo e principalmente ajuda na sociabilidade da criança e também como facilitadores para o ensino aprendizagem do aluno, facilitando assim o trabalho do professor e consequentemente, o crescimento do aluno.

As professoras reconhecem que o brincar, ajuda a desenvolver vários aspectos no aluno, como o cognitivo, o motor e o emocional. A ludicidade dentro de sala de aula é na verdade, um aliado no processo educativo.

Durante as observações em sala de aula, percebeu-se que as professoras reconhecem que o lúdico ajuda o desenvolver de vários aspectos do aluno, na verdade, é um aliado no processo educativo, principalmente quando transforma o abstrato em concreto, por meio da brincadeira e dos brinquedos.

A escola propõe como objetivo para as professoras relacionar as brincadeiras e brinquedos com os conteúdos propostos em sala de aula de acordo com a faixa etária da criança.

Considera-se que a função do professor da Educação Infantil é a de mediador da construção do conhecimento, dar condições favoráveis para desempenhar as capacidades e as competências de cada aluno, em seu contexto escolar, mediando o que a criança sabe e o que ela poderá vir a saber. Portanto, tal é a relevância do seu papel e da sua qualificação e, do seu aprendizado contínuo.

Na escola pesquisada, procurou-se formar um espaço favorável, utilizando-se de recursos lúdicos adequados como: brincadeiras de leitura, música, jogos pedagógicos, e outros, objetivando oportunizar o aluno a pensar, refletir, criar, expressar-se, enfim, não ser apenas um recebedor, mas ser ativo em todas as atividades propostas.

É necessário que a escola como espaço privilegiado em diversidade cultural e de formação da autonomia e da democracia esteja aberto a essa prática original e saiba intervir e mediar produtiva e positivamente o brincar. Percebeu-se que o lúdico é muito valorizado no meio acadêmico e entre as professoras da escola pesquisada.

O professor é, portanto, a peça angular para que o brincar aconteça. Cabe a ele mediar experiências necessárias para a apropriação do conhecimento dentro de sala de aula e para que isso se torne um grande sucesso, é necessário entrar no universo infantil, se apropriar dos gostos e interesses das crianças, dessa forma ele poderá reconhecer-se no lugar do aprendiz, se identificar com ele.

Após a realização deste estudo, constatou-se que o desenvolvimento de uma proposta pedagógica alicerçada nas atividades lúdicas, proporciona aos alunos, mais prazer e interesse em ir à escola. Portanto, acredita-se que o aprender tem que ser sinônimo de prazer, alegria e satisfação, pois é neste momento que se transforma o real em fantasias e as fantasias em real. Deve-se aguçar nos alunos um gosto diferente de “aprender brincando”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Paulo Nunes. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1998.

FALCÃO, G. M. Psicologia da Aprendizagem. São Paulo: Ática, 2001.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. SP: Nova Fronteira, 1993.

FORTUNA, Tânia Raso. Recurso permite repensar as relações de ensino-aprendizagem. In: Revista do professor. Ano XIX, n. 75. Porto Alegre, 2003.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. (org.) O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira Thomson Leorning, 2002.

________. Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira Thomson Leorning, 2003.

LÜDKE, Monga e ANDRÉ, Marli. Pesquisa em Educação: abordagem qualitativa. São Paulo: Epu, 1986.

MALUF, Ângela Cristina Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. Rio de Janeiro: Vozes, 2003.

MARANHÃO,Diva. Ensinar Brincando – A aprendizagem pode ser uma grande brincadeira. Rio de Janeiro:Wak, 2004.

MARCONI, Marina de Andrade e LAKATOS. Técnica de pesquisa: planejamento e execução de pesquisa, amostragens e técnica de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. São Paulo: Atlas, 2006.

MIRANDA, Simão. Do fascínio do jogo à leitura do aprender nas séries iniciais. São Paulo: Papirus, 2001.

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky.Uma Perspectiva Histórica-Cultural da educação. Petrópolis/RJ:Vozes, 2002.

SANTOS, Santa Marli Pires dos, (org.) Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. Petrópolis/ RJ. Vozes, 1997.

SILVA, Djalma Oliveira da; LAUTERT, Elin Maria Lanius. Sucatoteca: Espaço específico no ambiente escolar para a criança criar e brincar. Revista do Professor, Porto Alegre, ANO XVII, n º 67 p. 5-10, Jul. a Set. 2001.

VOLPATO, Gildo. Jogo, brincadeira e brinquedos: usos e significados no contexto escolar e familiar – Florianópolis: Cidade Futura, 2002.

WERNECK, Christianne. Lazer, trabalho e educaçâo: relações históricas, questões contemporâneas. Belo Horizonte: Ed. UFMG; CELAR-DESF/UFMG, 2000.

Apêndice A

Roteiro de observação

• Observar se e como o professor utiliza o lúdico em sala de aula.

• Observar o envolvimento da criança no lúdico.

• Identificar como o lúdico esta presente na escola.

• Identificar quais são as brincadeiras e brinquedos mais utilizadas na escola.

• Verificar quais brincadeiras despertam maior interesse e motivação nos alunos.

• Observar se as brincadeiras são realizadas em grupo ou individualmente.

• Verificar se durante as brincadeiras é suscitada a competição.

• Analisar os comportamentos morais, afetivos, físicos, éticos e cognitivos dos alunos durante as brincadeiras.

• Analisar como o professor utiliza o lúdico dentro de sala de aula.

Apêndice B

Questionário de pesquisa aplicado às professoras da Educação Infantil.

FACULDADE DO NOROESTE DE MINAS – FINOM

CURSO DE PEDAGOGIA

O presente questionário foi desenvolvido com objetivo de coletar informação para a analise da importância do lúdico na educação infantil.

Os dados subsidiarão a elaboração do projeto de pesquisa apresentado a

Curso de pedagogia da Faculdade Finom.

É de fundamental importância a fidelidade das informações prestadas. Gostaria de contar com a sua colaboração ao responder o questionário abaixo. Desde já agradeço a sua colaboração.

Márcia Regina Coelho de Sousa da Silva.

Questionário Misto para as professoras

Perfil

1. Sexo?

2. Idade?

3. Formação?

4. Há quanto tempo trabalhar nessa escola?

5. Gosta da sua profissão?

6. Onde mora?

7. Estado civil?

8. Tem filhos?

9. Como é a relação com eles?

Pesquisa

01- que você entende por atividade lúdica?

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

02 - Você acredita que o lúdico beneficia a aprendizagem da criança? Sim ( ) Não ( ) Por quê?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

03 - Você utiliza o lúdico em sala de aula? Sim, como? ( ) Não ( ) Por quê?

04 - Quantas vezes você utiliza o lúdico durante a semana? Um ( ) Duas ( ) Três ( ) Quatro ( ).

05- Você acha que a aprendizagem de forma lúdica é mais significativa para as crianças?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

06 - De que forma o professor pode estimular o seu aluno a brincar?

( ) - Participando ativamente das brincadeiras

( )- Incentivando atividades lúdicas

( )- Propiciando um espaço lúdico

( )- Outros:


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